...EU FUI!



"Uma vez ameacei ir embora

e tudo que você foi capaz de me dizer

foi um "Vá"...

Cheio de desdém.

E quer saber?

EU FUI!"


(Gabito Nunes)

CONDUZIR NO ESCURO



"Eu me aproximo pelos olhos, mas o que me convence 

a permanecer é o som da voz. 


Quero um amor capaz de conduzir o escuro." 




(Fabrício Carpinejar)

O OCULTO QUE EXCITA




Nada mais provocante
e instigante do que
a Sensualidade...
Tudo que nos é insinuado,
oculto e subentendido
ao sabor da nossa imaginação,
nos invade de forma avassaladora
e altamente excitante...


_Helô Müller_


MORANGOS MOFADOS





Com os olhos fechados, ouço “Let me take you down, ’cause I’m going to Strawberry Fields. Nothing is real and nothing to get hungabout. Strawberry Fields forever.” Como se eu estivesse em um universo paralelo, um refúgio, um abrigo, uma morada longe, mas dentro, do caos urbano. Uma espécie de esconderijo para se abrigar da chuva tóxica, ou dos desatinos do coração. Enquanto imagens explodem diante de nossos olhos cansados, ao fundo, o som dos Beatles vai levemente aumentando, aumentando…



Caio nos deixa com a boca aberta, o livro nas mãos e o pensamento longe, imaginando: E se a vida fosse diferente? Para ler e reler sempre que a saudade – ou a dor – falar mais alto. Os morangos mofados, como estrangeiro em sua terra natal, ou girassóis no inverno enfeitando os pastos da Rússia, ou uma Guerra Santa… O cheiro e o gosto do mofo ultrapassam toda a simbologia poética do morango. 


_Caio Fernando Abreu_





PENSAR É UM ATO!



Tô tirando férias, 
dando um tempo disso, 
chega de amar, 
chega de me doar,
chega de me doer.




(Caio Fernando Abreu)

SOMEONE LIKE YOU





I heard that you're settled down
That you found a girl and you're married now
I heard that your dreams came true
Guess she gave you things, I didn't give to you

Old friend
Why are you so shy
It ain't like you to hold back
Or hide from the light

I hate to turn up out of the blue uninvited
But I couldn't stay away, I couldn't fight it
I hoped you'd see my face and that you'd be reminded
That for me, it isn't over

Never mind, I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you, too
Don't forget me, I beg, I remember you said
Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead
Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead, yeah

You'd know how the time flies
Only yesterday was the time of our lives
We were born and raised in a summery haze
Bound by the surprise of our glory days

I hate to turn up out of the blue uninvited
But I couldn't stay away, I couldn't fight it
I hoped you'd see my face and that you'd be reminded
That for me, it isn't over yet

Never mind, I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you, too
Don't forget me, I beg, I remember you said
Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead, yeah

Nothing compares, no worries or cares
Regrets and mistakes they're memories made
Who would have known how bitter-sweet this would taste

Never mind, I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you, too
Don't forget me, I beg, I remembered you said
Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead

Never mind, I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you, too
Don't forget me, I beg, I remembered you said
Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead
Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead, yeah, yeah



NÃO SE COME UMA MULHER



Ahhh..Se todos pensassem como você Fabrício...

Não sou adepto de enxergar o mundo como se fosse a primeira vez, muito menos enxergar o mundo como a última vez. Não caio na conversa fiada de estréia e de despedida. Despedir não é terminar - é procurar iniciar de um jeito diferente.

Sou homem do durante. Do meio. Do decorrer. Nada contra quem pensa o contrário, mas é um pouco de soberba inaugurar ou fechar o mundo.

Quando se ama uma mulher, é preciso a safadeza, a vontade sem pudor, o desejo diabólico, a tara. Não se conter, não se represar. A ânsia, a violência e a obsessão são permitidas. Mas tudo será grosseria desacompanhada da pureza.

Pureza é autenticidade. Não fingir, não disfarçar, não dizer o que não está sentindo. Já ouvi muito que sexo não é seguir a cabeça e deixar as coisas acontecerem. Sexo seria não pensar. Não concordo, sexo não é inconseqüência, é conseqüência da gentileza. Conseqüência de ouvir o sussurro, de ser educado com o sussurro e permanecer sussurrando. Perder o pudor, não perder o respeito. Perder a timidez, não perder o cuidado.

Sexo é pensar, como que não? E fazer o corpo entender a pronúncia mais do que compreender a palavra. Como se não houvesse outra chance de ser feliz. Não a derradeira chance, e sim a chance.

Uma mulher está sempre iniciando o seu corpo. Toda a noite é um outro início. Toda a noite é um outro homem ainda que seja o mesmo. Não se transa com uma mulher pela repetição. Seu prazer não está aprendendo a ler. Seu prazer escreve - e nem sempre num idioma conhecido.

Ela pode ficar excitada com uma frase. Não é colocando de repente a mão na coxa. Ela pode ficar excitada com uma música ou com uma expressão do rosto.

Não é colocando a mão na sua blusa. Mulher é hesitação, é véspera, é apuro do ouvido.

Antever que aquelas costas evoluem nas mãos como um giz de cera. Reparar que a boca incha com os beijos, que o pescoço não tem linha divisória com os seios, que a cintura é uma escada em espiral.

É comum o homem, ao encontrar sua satisfação, recorrer a uma fórmula. Depois de sucesso na intimidade, acredita que toda mulher terá igual cartografia, igual trepidação. Se mordiscar os mamilos deu certo com uma, lá vai ele tentar de novo no futuro. Se brincou de chamá-la de puta, repete a fantasia interminavelmente. Assim o homem não vê a mulher, vê as mulheres e escurece a nudez junto do quarto.

Amar não é uma regra, e sim onde a regra se quebra.

Não se come uma mulher, ela é que se devora.
 
(Fabrício Carpinejar)

O AMOR TEM UMA MÃO SÓ



O amor sempre tem uma mão só. E não estamos falando, amigo, daquela máxima do Woody Allen sobre a masturbação – que seria a melhor forma de fazer amor com a pessoa que você mais ama.

Tratamos do amor mesmo, o dos pombinhos, na sua forma mais óbvia e verdadeira.

Daí repito: o amor sempre tem uma mão só. Mesmo quando é correspondido, nunca o é por inteiro – sempre um ama mais do que o outro. Eis o grande suspense hitchcockiano da existência.

Daí esta oração para ser lida em voz alta, por você que se acha injustiçado:

Nossa Sra. dos que Amam Sozinho ou amam mais que o outro, perdoa-me pela insistência, nem mais é por tanto querê-la, é por deixar claro, mão que sopra das intimidades dessa oração, que só ela me faz passar da conta, perversa, me faz cair no abismo mais lindo do gozo sem volta, como naquele encosto de beira de estrada, como na rodovia estrangeira de Sam Shepard, crônicas de motel, simbora!

Nossa Sra. dos Que Só Pensam Nela, cotovelos lanhados de tanta espera, tantos sustos nas ruas, nos bares – é ela!!!

Nossa Sra. Dos Cotovelos da Surpresa e das Janelas, tão gastos, cinzas, peles, dobras, e tanta fome de viver aqui dentro, megalomaníaco, épico, terá sido a força do desprezo???

Não creio, sr. Albero Moravia, meu guru de tantos conselhos amorosos. … Mesmo a paudurescência, nostalgia precoce das grandes histórias, o tempo inteiro, pensando, pensando, pensando, mas no fundo gostas!
Os joelhos lanhados pela romaria, devoção e insistência.

Nossa Sra. da Vida Alongada que consegue, nos seus exercÌcios de Kama Sutra, me levar à coisa mais sagrada. Nossa Senhora da Yoga que deixa o corpo dela como nunca dantes na história dessa pátria!

Amor demorado, anjo exterminador da alcova sem pílulas milagrosas. Amor por tê-la, rara. Beijá-la delicadamente, como um católico que dissolve na boca uma hóstia ou um evangélico que fala a língua de pentencostes.

Amar por horas, riachinhos d’águas que não se sabem donde, cada cantinho dum mapa que se inventou só pra se perder depois. O sentimento é a verdadeira bússola dum homem, perdido docemente lá embaixo, lá embaixo daquelas tuas vestes modernas que nunca te escondem.

Lua cheia, vida crescente.

Nossa Senhora dos que sentem muito e amam sozinho, rogai por nós que recorremos a vós!

O amor é mesmo uma rua estreita, que mesmo com todo progresso e planejamento urbano, sempre terá uma mão só.


De Clarisse Lispector, sim, ela mesma, a grande escritora, que, para ganhar a vida, eita mundo cruel, foi colunista de amenidades e consultório sentimental, em jornais e revistas nas décadas de 50 e 60. A coletânea completa está no Correio Feminino, da editora Rocco. 

SINTO...


Eu sou mansa mas minha função de viver é feroz.

DESIRE


Desejo devasso de pintar 
o relevo do teu corpo!
Moon

Jukebox

 
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